Um vírus que mata mais na periferia?

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Nesta edição, voltamos à nossa análise geográfica da epidemia do coronavírus em Curitiba. Só pra lembrar, esses são os últimos números da situação na cidade, divulgados nesta segunda (6) e sempre atualizados no nosso Monitor COVID-19 Curitiba:

  • 7.530 casos confirmados (um aumento de quase 60% em apenas uma semana); e
  • 195 mortes.

🗺️ Loucos por mapas que somos, nós d’O Expresso fuçamos os últimos balanços da secretaria da Saúde para trazer alguns dados sobre onde o coronavírus mata mais em Curitiba. Spoiler: não é na região central, onde está a maioria dos casos confirmados.A partir de um mapa divulgado pela prefeitura na última sexta (3), conseguimos localizar as mortes por bairro causadas pelo coronavírus, com base no endereço de residência da vítima. Foram 166 óbitos mapeados (de um total de 172 naquele dia, ou seja, a grande maioria). Vejam no que deu:

O bairro com mais mortes, em números absolutos, é a CIC, seguida por Sítio Cercado, Xaxim e Pinheirinho. Consulte o mapa completo aqui.


Como deu pra ver, as mortes por coronavírus estão concentradas na região sul da cidade, bem longe do epicentro de casos confirmados até aqui: a zona central. 

Se formos analisar por regionais, cujos dados são divulgados mais abertamente pela prefeitura, a discrepância se mantém: enquanto a incidência do coronavírus é maior nas regionais Matriz, Bairro Novo e Santa Felicidade, a letalidade da doença (ou seja, o percentual de infectados que acabam morrendo) é maior nas regionais do Boqueirão, Boa Vista e Pinheirinho — três regiões que, curiosamente, estão entre as com menos casos confirmados. 

👉 Está tudo ali nos mapas que colocamos no Monitor COVID-19 Curitiba.

O que isso quer dizer? Há muitas conclusões possíveis. Eis algumas hipóteses:

  • Mais testes são realizados na região central, e por isso a letalidade lá apenas aparenta ser menor (ou seja, pode haver uma subnotificação de casos nas demais regionais, o que acaba aumentando o índice de letalidade nesses locais);
  • Está faltando assistência às populações longe da região central;
  • A demora ao procurar (ou conseguir acessar) os serviços de saúde nas regionais mais atingidas pode estar contribuindo para aumentar a letalidade. Quem deixa para buscar atendimento médico quando os sintomas já estão severos pode ter menos chances de sobrevivência.

🗣️ O que você acha, leitor? Há desigualdade regional no combate à COVID-19 em Curitiba? A que se devem essas disparidades? Escreva para nós respondendo a este e-mail.

E as últimas do coronavírus:

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