Gás nas alturas e madeira no fogão

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É difícil de acreditar, mas, aqui em Curitiba, tem gente que está tendo que voltar às antigas e cozinhar com fogão a lenha, por causa do exorbitante preço do gás de cozinha.

Quem contou essa história (que até parece do século passado) foi a revista piauí, na reportagem “A lenha ou a fome”, de Felippe Aníbal. Ele foi ao bairro da Caximba, no extremo sul da cidade, onde “as pequenas chaminés dos fogões a lenha se multiplicam”. (piauí)

  • O bairro, ironicamente, fica a poucos quilômetros da Refinaria Getúlio Vargas, da Petrobras, responsável por 12% da produção nacional de derivados de petróleo.

💰 Para muitas das famílias que ali vivem, comprar um botijão chega a custar quase 15% da renda mensal. Em Curitiba, o preço de um botijão de GLP varia atualmente entre R$ 82 e R$ 93,50, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo).

“Bem ou mal, comida sempre teve. Mas, para o gás, não estava dando”, disse Marili dos Santos à piauí. “É duro você ver a comida ali e não ter como cozinhar.”

Olhando o gráfico (em especial o pico do último ano), dá para ver por que o preço do gás ficou dramático para tantas famílias em Curitiba. Acesse a visualização completa aqui

E por que o gás subiu tanto? Em resumo, por causa da alta do dólar e da elevada cotação do petróleo no mercado internacional. No Brasil, desde maio do ano passado, o preço do botijão subiu cinco vezes mais do que a inflação. Só no mês de junho, o reajuste foi de 6%. (Bem Paraná)

  • Mas ainda pode piorar: com o reaquecimento da economia global conforme a vacinação avança e a pandemia de COVID-19 arrefece, a demanda por energia deve aumentar – e o preço também, não só do gás, como da energia elétrica.

⏳ O uso de lenha e carvão para cozinhar não é de hoje: em Curitiba, cerca de 7% dos domicílios afirmam recorrer a esse tipo de combustível para preparar alimentos – ou 51 mil famílias, segundo dados do IBGE, de 2019. 

  • Esse percentual é bem menor que a média nacional, de 19%, mas maior do que em outras capitais, como Belo Horizonte (4,7%), São Paulo (2,8%) e Rio de Janeiro (0,4%).

E agora?

  • O Disque Solidariedade, serviço da prefeitura que atende às famílias em vulnerabilidade social, chegou a receber pedidos de moradores por fogões a lenha. Dá para fazer doações por lá, via telefone 156;
  • O Sindipetro (Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina) também tem feito edições pontuais da campanha “Gás a preço justo”, doando centenas de botijões a famílias carentes de Curitiba e região; 
  • Enquanto isso, deputados do Paraná propuseram um projeto de lei para permitir a reutilização do botijão em qualquer distribuidora – o que aumenta a liberdade de escolha do consumidor e poderia reduzir o preço do gás em até 20%. A proposta ainda depende de aprovação em segundo turno e sanção do governador. (Tribuna do Paraná)

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