Ter “ene” personalidades me ajudaria tremendamente no meu trabalho, porque lá em Curitiba eu tinha que me modificar: para cada personagem, tinha que ser uma pessoa diferente.
A frase de hoje é de um curitibano que, assim esperamos, vivia numa Curitiba muito diferente da atual: o ator Ary Fontoura, que celebra 88 anos na semana que vem.
Radicado no Rio de Janeiro, Fontoura deu um longo depoimento para o livro “Ary Fontoura: Entre rios e janeiros”. Segundo ele conta, a Curitiba das décadas de 1940 a 1960 não era nada acolhedora: moralista e provinciana, destilava preconceito contra quem fazia radionovelas, como ele. Nem bailarinas para as peças ele conseguia encontrar – as mulheres da cidade se recusavam a dançar no palco.
Ele passou 31 anos na cidade, quando aprendeu a ter as “ene personalidades” de que fala. Eventualmente faz visitas à terra natal – que, esperamos, caro Ary, lhe acolha hoje com mais humanismo e amor.
O livro sobre Ary Fontoura está disponível na íntegra, e de graça, aqui.
Boa semana e até terça que vem!