Pra não perder o hábito, começamos esta edição com os últimos dados sobre a epidemia de coronavírus em Curitiba. Esses são os números divulgados nesta segunda (25) pela prefeitura, que estão sistematizados lá no nosso Monitor COVID-19 Curitiba:
- 961 casos confirmados
- 38 mortes
- 307 casos suspeitos
⚠️ Destaque: atingimos nesta segunda (25) o segundo maior pico de casos suspeitos desde o início da pandemia — vale lembrar, duas semanas depois do Dia das Mães. É bem como havia adiantado a secretária da Saúde: ela disse que veríamos um aumento de casos após o relaxamento do distanciamento social naquela data. (Gazeta do Povo)
Casos suspeitos de COVID-19 por dia em Curitiba: o pico recente está em vermelho
Por onde está o coronavírus
Já falamos desse tema na edição passada d’O Expresso — mas voltamos a ele com dados mais precisos sobre a localização dos casos de coronavírus por bairro em Curitiba.
Na semana passada, a prefeitura divulgou discretamente um mapa com a incidência de casos de COVID-19 por bairro — e não por regional, como mostramos na última edição. Nós d’O Expresso sistematizamos as informações neste mapa, que está resumido abaixo:
Os bairros com mais casos de COVID-19 em Curitiba, em 22/maio/20. O mapa completo, com o nome dos bairros, está disponível aqui.
De cara, já podemos destacar que os bairros com maior incidência estão na região central, e são também alguns dos bairros mais ricos da cidade:
- Em primeiro lugar absoluto, está o Batel, com taxa de incidência entre 200 e 350 casos por cem mil habitantes (é ele o perímetro em roxo no mapa acima). Vale dizer, é um dos bairros com maior renda média per capita em Curitiba, de R$ 4.100 (a média na capital é de R$ 1.400);
- Logo em seguida, aparecem Bigorrilho, Mossunguê, Juvevê, Centro Cívico, Jardim Social, Cristo Rei, Hugo Lange, Cascatinha e São João, com taxa entre 100 e 200 casos por cem mil habitantes;
- Os bairros com menor incidência são Caximba, Tatuquara, Riviera e Taboão.
🤔 Seria a COVID-19 uma doença que afeta mais os mais ricos (pelo menos em Curitiba)?
Algumas ressalvas metodológicas importantes:
- O mapa demonstra a taxa aproximada de incidência da COVID-19 por cem mil habitantes em cada bairro — e não o número de casos absoluto, que não foi divulgado pela prefeitura;
- O coeficiente exato por bairro, vale dizer, também não foi revelado pelo poder público: o mapa acima se baseia em uma aproximação, divulgada pela própria prefeitura;
- A localização se baseia no endereço declarado de residência de cada paciente com a doença confirmada. Vale lembrar: isso não quer dizer que ele tenha se contaminado naquele bairro específico. De qualquer forma, os dados não deixam de demonstrar um tipo de perfil do curitibano mais suscetível ao vírus;
- A Secretaria Municipal da Saúde optou por divulgar os números absolutos de casos apenas por regional, e não por bairro — segundo O Expresso apurou, não só pela possível discrepância entre o endereço de residência vs. local de contaminação, mas por temer um relaxamento no distanciamento social nos bairros com menos casos.
⚡ Curtas sobre a epidemia:
- Depois de cair no início da pandemia, a poluição do ar voltou a subir em Curitiba — sinal de mais carros circulando pelas ruas. Os radares espalhados pela cidade comprovam o aumento da circulação de veículos. (Gazeta do Povo e CBN Curitiba)
- Em outro sinal do relaxamento do isolamento social, também houve aumento de passageiros nos ônibus de Curitiba. (CBN Curitiba)
- A UFPR confirmou nesta semana o adiamento do vestibular deste ano, que vai ficar para janeiro de 2021. (G1 Paraná)
- Curitiba foi destaque negativo no ranking da Transparência Internacional sobre gastos emergenciais durante a pandemia, pela falta de informações consolidadas sobre o tema. A prefeitura prometeu readequar seu site. (Gazeta do Povo)
- Pra finalizar: em tempos de coronavírus, o Hospital Cajuru está recorrendo a um robô para permitir ‘visitas’ a pacientes da UTI. Familiares e amigos falam com os internados por uma tela, a distância. (CBN Curitiba)