Dando uma pausa nas notícias sobre a pandemia, vamos à quinta edição da coluna O Expresso da História, escrita pelo nosso parceiro Diego Antonelli, que fala sobre as indústrias e empresas que marcaram época em Curitiba.
A história de hoje é da Fábrica de Fitas Venske — cujas antigas instalações viraram um ponto cultural e de encontro na nossa capital, ali no Alto da XV. Conta aí, Diego:

Crédito: Museu Paranaense
🇩🇪 A história da Fábrica de Fitas Venske, fundada em 1907, começa com a chegada do alemão Gustavo Venske ao Brasil, que se mudou para o país na segunda metade do século XIX — mais um entre milhares de alemães que fizeram parte daquela onda imigratória. Venske chegou a Curitiba em 1889, onde se casou com Anna Müller (cuja família era proprietária da tradicional Metalúrgica Müller, onde hoje fica o shopping de mesmo nome) e fundou uma loja de armarinhos.
🎗️ Em 1907, farejando uma oportunidade no ramo de tecidos e confecções, Venske abriu uma pequena manufatura de fitas, com três teares. A produção era inicialmente destinada à sua própria loja de armarinhos, que ficava no Largo da Ordem, numa sociedade entre ele e seu cunhado, Oscar Charles Müller.
A indústria, porém, prosperou. Em 1917, já eram 64 teares na fábrica, que se mudou para uma sede própria no centro de Curitiba.
🎩 As fitas eram vendidas principalmente para o mercado de São Paulo, para serem usadas como adorno em chapéus, vestidos e sapatos. Em sua dissertação de mestrado pela UFPR, o pesquisador Walfrido de Oliveira Júnior relata que a empresa “produzia fitas com técnicas únicas”.
🏠 Além disso, a indústria foi pioneira no sistema home office. “[A fábrica] manteve por dez anos (1935/1945) aproximadamente 20% de suas tecelãs trabalhando nas próprias residências”, escreve o autor.
Em seu auge, a Fábrica de Fitas Venske chegou a empregar 130 pessoas e produzir 800 mil metros de fita por mês. Em 1938, mudou-se para sua sede definitiva, na rua Ubaldino do Amaral, expandindo sua atuação para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
👨🏭 Nas décadas seguintes, a empresa começou a passar por dificuldades para encontrar mão de obra especializada, especialmente para fazer a manutenção dos teares. Em 1980, a empresa sucumbiu e encerrou as atividades.
Curiosidades:
- Durante a 1ª Guerra Mundial, com medo de uma represália contra imigrantes alemães, a empresa mudou de nome para “Moraes e Cia”. O novo nome, inspirado em uma sociedade que depois se desfez, durou de 1919 a 1924.
- Atualmente, os pavilhões da antiga fábrica são conhecidos como A Fábrika, ocupados por escolas de profissões e idiomas, como o Instituto Goethe, e estabelecimentos públicos e privados. A história do local foi tema de uma reportagem em vídeo da TV Sinal, que você assiste aqui.