“Uma mulher parda e pobre, […] de vida alegre, mas inofensiva criatura, de quem a polícia não tem a menor queixa em seus arquivos.”
É essa a descrição que o “Diário do Comércio” fez de Maria Bueno, a “santinha de Curitiba”, num artigo de 1893. A mulher que foi assassinada brutalmente em janeiro daquele ano virou alvo de devoção e peregrinação até hoje. Bueno nasceu há 165 anos, no dia 8 de dezembro de 1854.
Sua morte foi talvez o primeiro grande caso de feminicídio de Curitiba, e o culto à sua memória fez dela “uma representante do heróico feminino, cuja ênfase reside não na força física, mas no conceito arcaico de honra”, segundo esse artigo de Andrea de Alvarenga Lima.