A preservação da floresta começa no nosso quintal

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Viraram tema de debate internacional os incêndios florestais na Amazônia, que fizeram São Paulo escurecer mais cedo e chegaram até ao Paraná, como a gente falou na edição de número 87.

E dá para falar de floresta aqui em Curitiba? Dá, sim. A gente ainda tem boas porções de Mata Atlântica preservada, a maioria em terrenos particulares, nas chamadas RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural). (Folha de S.Paulo)

Cerca de 70% das áreas verdes de Curitiba estão nessas propriedades privadas!

Foto: Brunno Covello/SMCS (arquivo)

Só que: tramita na Câmara Municipal um projeto que pretende mudar a forma como essas áreas são recompensadas financeiramente. É que ele institui uma mudança no potencial construtivo, aquele mecanismo de títulos que podem ser vendidos no mercado imobiliário, e reinvestidos em imóveis históricos, obras de interesse público e… áreas verdes.

Qual a preocupação? Um dos artigos do projeto de lei estabelece que os imóveis que mantêm áreas de preservação só podem vender potencial construtivo para imóveis de “uso não habitacional” — ou seja, comerciais. Segundo a APAVE, associação que reúne os proprietários de áreas verdes na cidade, isso representa uma minoria dos empreendimentos de Curitiba. E vai ser um baque.

O que diz a prefeitura? O Ippuc argumenta que quer preservar a moeda do potencial construtivo e equilibrar forças entre os diversos tipos de imóveis que podem vender esses títulos (como os imóveis históricos, por exemplo). O especialista do Ippuc Alberto Paranhos disse ao Expresso que essas áreas verdes têm uma metragem muito maior do que outros terrenos, conseguem aplicar um preço mais competitivo por metro quadrado, e acabam prejudicando a concorrência.

Como está agora? O projeto continua em discussão na Câmara. Poucos dias atrás, a Comissão de Finanças resolveu pedir à prefeitura que se manifeste sobre o problema levantado pela APAVE. Até agora, não houve resposta oficial. 

Curitiba sempre se orgulhou de ser referência nacional na quantidade de área verde por habitante. Cabe à gente ficar atento ao tema.

Ainda sobre o assunto: os incêndios florestais no Paraná também aumentaram neste ano: o número de ocorrências subiu 34%, segundo o Corpo de Bombeiros (Gazeta do Povo)

E no Brasil: uma análise interessante sobre os dados de queimadas no país (WRI Brasil)

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